O MALDepois, a palavra começou a se deteriorar, como fruta que apodrece se deixada de lado.— "Viva" em um orfanato não é um sinal de alívio; é como ouvir que alguém descartou um objeto que já não serve mais.Não é “menos mal.” É uma nova forma de horror, como descobrir que um sonho se tornou pesadelo. —Vi a cena sem querer: uma porta se abrindo, o frio entrando, um choro baixo ecoando e passos se afastando, como se cada passo fosse uma adição ao vazio que ficou para trás.Minha cabeça, como um artista cruel, sabe fabricar as piores imagens para me punir. Tentei não imaginar a Lise e sua luz que se apagava, mas falhei. — Seu rosto surgiu como em uma memória feliz: não no sequestro, não na queda, não na dor, mas na mesa de jantar, com os cabelos presos de qualquer jeito, rindo de algo trivial, com o prato quase vazio, enquanto a conversa girava em torno da empresa, como se aquilo fosse o centro da vida ao invés de um monstro que devora tempo.Eu era um convidado ali, com lugar rese
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