Os dias passaram e, embora as feridas de Lia começassem a cicatrizar lentamente, não existia nenhuma melhora naquilo que mais destroçava Giorgio. Cada vez que ela abria os olhos e o olhava, fazia isso com a mesma expressão com que observaria qualquer desconhecido. Não havia reconhecimento, não havia carinho, não havia aquele brilho especial que durante anos havia iluminado seu rosto quando ele aparecia diante dela.Só existia um imenso vazio que parecia engolir todas as lembranças que haviam construído juntos. Giorgio continuava passando as noites sentado junto à sua cama, segurando uma mão que já não respondia à sua, falando com ela embora ela mal respondesse com pequenos sorrisos educados. Contava anedotas de sua infância, falava das travessuras que faziam quando eram crianças, das luciérnagas que perseguiam durante os verões e das promessas que haviam compartilhado sob um céu cheio de estrelas, mas Lia apenas o escutava com educação, como se aquelas histórias pertencessem à vida de
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