Capítulo 43 – O DespertarPrimeiro vieram os sons. Não eram claros, pareciam vir de muito longe, como se estivessem atravessando camadas e camadas de água grossa e fria, que dificultava ouvir qualquer coisa direito. Um som ritmado, constante, que ela não conseguia identificar de início: bip… bip… bip… Depois vozes baixas, abafadas, palavras soltas que ela tentava juntar na cabeça mas que escorregavam como areia entre os dedos. “Pressão arterial… ainda estável… os batimentos dos fetos continuam… resistindo mais do que esperávamos… mas ainda é cedo…”Ela queria perguntar o que significava tudo aquilo, queria abrir a boca, mas não conseguia mover nem os lábios. O corpo parecia pesado, como se tivesse sido preenchido por chumbo. A escuridão a puxava de volta, pesada, convidativa, prometendo descanso sem dor, sem medo — mas então uma voz cortou tudo, uma voz que ela conhecia mais do que a própria, baixa, rouca, carregada de uma dor que parecia doer nela também. Salvatore. Ele dizia seu nom
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