POV Jullie A sede da Procuradoria da República no Rio de Janeiro impunha um respeito silencioso com seus corredores largos de granito cinza e iluminação sóbria. Ao meu lado, Daniel caminhava com passos longos e cadenciados, o sobretudo escuro aberto sobre o paletó alinhado, segurando a pasta de couro onde repousava a carta de Gustavo devidamente lacrada e periciada. A nossa entrada conjunta no gabinete do Procurador Regional da República, Dr. Sérgio Nogueira, não passou despercebida pelos assessores. Éramos a síntese do improvável para o meio jurídico: a Promotora de Justiça cuja vida fora revirada pela imprensa e o advogado criminalista mais agressivo do estado, lado a lado, unidos pela mesma ofensiva. O Procurador Nogueira nos recebeu de pé, fechando a porta da sala de conferências assim que nos acomodamos. — Jullie, Daniel — ele cumprimentou com sobriedade, apertando nossas mãos. — Recebi a notificação de urgência da sua secretaria, Jullie. Pelo tom do pedido, imagino que o des
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