🧸Cap. 3: De Volta ao Ninho de Cobras
O ar de São Paulo sempre teve um sabor diferente.Para Helena, no entanto, aquela névoa cinzenta e úmida que pairava sobre a pista de pouso do Aeroporto de Congonhas, tinha o gosto amargo de cinzas e de promessas quebradas.Ao dar o primeiro passo fora da aeronave, a brisa fria chocou-se contra seu rosto, desordenando os fios castanhos de seu cabelo e fazendo-a encolher-se instintivamente dentro de seu sobretudo bege.Não era apenas o clima.Era o peso invisível de uma cidade que, sete anos atrás, havia mastigado sua alma e a cuspido sem qualquer vestígio de piedade.— Mamãe... está frio — uma voz pequena, rouca e terrivelmente frágil murmurou ao seu lado.Helena olhou para baixo imediatamente, seu coração apertando-se em um espasmo de dor física pura.Leonardo estava de pé, segurando sua mão com força desproporcional para o seu corpinho debilitado.A máscara de proteção cirúrgica cobria metade de seu rosto miúdo, mas não conseguia esconder a palidez assustadora de suas bochechas, nem
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