Cecília A fachada de mármore cinza do Tribunal de Justiça da cidade erguia-se como um monumento de sobriedade e julgamento. Quando Marcello estacionou a caminhonete na vaga reservada, o meu estômago despencou. O peso do que estávamos prestes a fazer assentou-se nos meus ombros com uma força esmagadora. Descemos do carro sob um silêncio cúmplice. Marcello ajeitou o paletó escuro do seu terno impecável, recuperando a postura imponente de herdeiro dos Moretti, mas, antes de caminharmos em direção à entrada, ele estendeu o braço para mim. Passei a minha mão sob o seu braço, sentindo a firmeza do seu músculo. A aliança no meu dedo reluziu contra o tecido do seu terno. Na entrada do fórum, Gustavo, o advogado da família, já nos aguardava. Ele caminhava de um lado para o outro, checando alguns papéis em uma pasta de couro. Ao nos ver, ele guardou os documentos e veio ao nosso encontro com passos rápidos. — Bom dia, Marcello. Cecília — ele cumprimentou, a voz baixa e tensa, indicando q
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