Diante do espelho descascado do seu quarto na vila, Liv deu o toque final no batom bordô, exatamente do mesmo tom do vestido. Ela deu um passo para trás, avaliando o próprio reflexo. O espartilho estruturado do tomara que caia esculpia sua silhueta com uma precisão milimétrica, e a seda pesada caía com uma fluidez que a fazia parecer mais alta, mais imponente. Dona Carmem entrou no quarto segurando o xale preto de Liv, e seus olhos antigos se encheram de lágrimas.— Você está uma rainha, minha menina — sussurrou a idosa, ajeitando uma mecha do cabelo preso de Liv. — Sua mãe ficaria... — Carmem engoliu em seco, corrigindo-se com um sorriso doce. — O seu pai estaria muito orgulhoso da mulher que você se tornou.Miguel, que estava sentado na cama forçando a visão, sorriu largo.— O Dr. Alexander vai cair para trás, mana.Liv deu um beijo na testa do irmão e na bochecha da avó, pegou sua pequena bolsa de mão e respirou fundo, tentando conter o turbilhão no estômago.Quando ela abriu a por
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