Magnus BlackwoodHá nomes que não são apenas palavras, são portas, e eu aprendi, da pior maneira possível, que algumas portas não podem ser abertas sem que tudo atrás delas desabe. Por isso eu não digo o nome de Eleanor em voz alta, na frente de Emily, para Aurora e para ninguém. Enquanto o nome dela permanecer preso dentro de mim, Eleanor continua controlável. Assim ela será sempre uma memória organizada, uma ausência silenciosa e um luto contido, suportável. Dizer o nome seria dar forma ao que eu enterrei vivo.Aurora percebe isso antes mesmo de eu admitir, porque depois de ontem ela não perguntou mais, não insistiu e não forçou conversas sobre o passado, mas ela ainda me observa, e observar, no caso dela, é uma forma perigosa de aproximação.Estou no escritório quando encontro uma caixa pequena e discreta sobre a mesa. Pequena. — Estranho. Não lembro de tê-la colocado ali — murmurei.Abro e dentro tinha um relógio antigo. O meu relógio. O mesmo que eu parei de usar no dia em que E
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