A chuva começou pouco depois das onze da noite. Forte, pesada e violenta contra os vidros gigantes da cobertura Ferraresi.Maytê observava a cidade iluminada da sala enquanto segurava uma xícara de chá entre as mãos, tentando ignorar a sensação estranha de vazio que aquele apartamento causava. Tudo ali era bonito, silencioso e frio demais. Parecia um lugar montado para impressionar pessoas, não para ser vivido.Ela suspirou baixinho. Três semanas. Já fazia três semanas desde o início do contrato.Três semanas fingindo sorrisos para fotógrafos, jantares corporativos, eventos, entrevistas ensaiadas e, estranhamente, Gustavo Ferraresi estava começando a se tornar menos insuportável.O que era um problema enorme, porque Maytê começava a enxergar coisas que não deveria. Como o fato de ele sempre esperar ela entrar no elevador primeiro ou perceber quando ela ficava desconfortável em eventos ou lembrar exatamente como ela gostava do café. Pequenas coisas. Perigosas coisas.Ela ouviu passos a
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