A manhã chegou devagar, cinza e silenciosa, como se a própria cidade ainda estivesse tentando se recuperar da tempestade da noite anterior.Maytê, por outro lado, tinha certeza de que nunca mais se recuperaria completamente da imagem que viu às quatro da manhã.Gustavo tremendo, assustado e quebrado, era estranho. Porque durante semanas ela tinha tentado enxergar quem existia por trás da arrogância, do dinheiro e do controle obsessivo e agora que finalmente tinha visto, não conseguia parar de pensar nisso.Ela estava terminando o café quando ouviu passos, levantou os olhos e encontrou Gustavo entrando na cozinha, impecável. Terno escuro, gravata perfeitamente alinhada, postura impecável. Como se não tivesse passado a madrugada inteira lutando para respirar, como se nada tivesse acontecido.Maytê sentiu uma pontada de irritação, homens emocionalmente reprimidos eram um desafio à paciência humana.— Bom dia.A voz dele estava normal, normal demais.— É?Gustavo arqueou uma sobrancelha.
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