CARLOS EDUARDO Normalmente, eu jamais falaria assim com ninguém. Mas aquele tom ríspido era o meu mecanismo de defesa, o meu jeito de erguer muros para afastar os curiosos e finalmente desabar sozinho.Ela me avalia por alguns instantes, o pano de prato apoiado no ombro.— Desculpe, não queria ser intromissiva — ela diz, mudando o tom para algo mais brando. — Mas um rapaz jovem e bem-vestido como você, vindo a essa hora da tarde beber sozinho em um balcão de estrada... não é algo que se vê todo dia. Bem, se me permite o palpite de velha, aposto que você brigou feio com a namorada. Estou errada?O palpite dela me arranca um riso amargo, desarmando um pouco a minha guarda e trazendo uma lufada de leveza para a minha desgraça.— Não exatamente... — murmuro, balançando a cabeça. — Mas agora,
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