O marido de Renata era daquele tipo de homem que a cidade inteira conhecia pelo apelido antes de conhecer pelo nome.Rafael Souza — o Terceiro da Família Souza, como o chamavam nos círculos que preferiam não ser identificados — presidia o Grupo Souza oficialmente, mas havia outro apelido que circulava nos bastidores: o Coletor. Porque quando ele decidia que alguém havia cruzado uma linha, cobrava a conta com uma precisão que não deixava margem para negociação.Renata havia se casado com ele não por escolha exatamente — a família Jortan e a família Souza tinham um acordo antigo, a irmã mais velha havia se recusado, e Renata havia entrado no lugar com aquele tipo de resignação que às vezes se parece com coragem de longe. Eles não tinham nada em comum fora da cama, e dentro da cama tinham tudo — o que, segundo Renata, era uma forma particularmente irritante de incompatibilidade.Se Rafael descobrisse que ela havia contratado modelos masculinos num bar tarde da noite, Renata dizia que pre
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