HenriqueEu não conseguia ver mais nada ao meu redor. Era como se existisse apenas o quadro. O rosto do Guilherme estava ali exatamente como eu me lembrava. O olhar sereno e aquela tristeza silenciosa que o Tiziano conseguiu eternizar na tela. Meu irmão, uma vítima da tirania dos nossos pais.Meu peito doeu de uma forma que eu mal conseguia respirar. Não era apenas um retrato, era uma lembrança viva. Então desviei os olhos para os meus pais e compreendi que o verdadeiro espetáculo daquela tarde não era o quadro, era a reação deles.Minha mãe perdeu completamente a postura elegante. A mulher que passou o dia distribuindo sorrisos, abraçando convidados e posando para fotos, agora estava completamente descontrolada. Ela não agia como uma mãe diante da imagem do filho. Agia como se estivesse diante de uma ameaça, e eu sabia muito bem porque.Meu pai percebeu que o personagem estava desmontando e tentou corrigir. A reputação dos Lucchese estava em cheque. Em poucos segundos ele fez o que s
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