Não me lembro qual foi a última vez que chorei tanto na vida. Provavelmente quando perdi minha mãe, há tantos anos, num tempo que eu tinha aprendido a guardar bem longe para conseguir continuar funcionando.E agora eu estava ali, na capela fria e silenciosa, olhando para o meu avô, que eu tinha reencontrado há tão pouco tempo, deitado imóvel, frio, dentro de um caixão coberto de flores brancas.O velório estava cheio. Várias pessoas vinham deixar seus sentimentos, apertando minha mão, dizendo coisas que eu não conseguia processar com a cabeça inteira. Reconheci alguns rostos do casamento — pessoas que poucas horas antes estavam sorrindo, brindando à minha felicidade, e agora vestiam preto e abaixavam a voz, dizendo as mesmas frases prontas sobre pesar e condolências que provavelmente repetiam em todo velório que frequentavam. Eu não entendia nada. Não via rostos com clareza, não ouvia vozes direito, só balançava a cabeça como se ainda tivesse que manter alguma compostu
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