Eu tento abrir os olhos de novo, e, dessa vez, a carga parece um pouco menor, ainda pesada, mas menos, eu sinto o músculo responder, a pálpebra tremer, só que a claridade que vem é mínima, como se tivesse só um fio de luz, longe, filtrado, talvez por alguma coisa, e isso não é suficiente pra formar imagem, então, na prática, ainda estou cega.Mesmo assim, eu começo a perceber outras coisas.Tem vozes.Mais de uma.Elas estão perto, mas não o suficiente pra eu entender exatamente o que dizem, como se estivessem num canto do cômodo, cochichando, ou como se eu estivesse debaixo d’água e eles estivessem do lado de fora, o som chega, mas as palavras não formam frase, só ruído, tipo “hmm… hmm…”, e eu fico ali, tentando distinguir se é homem, se é mulher, se é mais de um, se é gente que eu conheço, se é gente que eu não quero conhecer, mas a cabeça lateja tanto que qualquer esforço pra focar no som parece pior do que ficar no escuro.Tudo ao redor parece em movimento, como se o ar estivesse
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