Enzo Romano Ainda na porta do apartamento do Julian, totalmente encharcado e com o coração batendo na garganta, eu precisava insistir. A chuva escorria pela minha roupa, mas o frio que eu sentia vinha do olhar de Luccas, que me encarava como se eu fosse um estranho. Ele estava sentado no sofá, com os ombros curvados e o rosto manchado pelas lágrimas, parecendo um náufrago no meio da sala de Julian. Eu me sentia um lixo. A culpa pesava mais que as roupas molhadas, uma âncora me puxando para o fundo do meu próprio erro. — Luccas, eu preciso falar com você — implorei, minha voz saindo rouca e carregada de um desespero que eu nunca imaginei sentir. — Vá embora, Enzo. Eu não quero ouvir suas desculpas — ele disse, sem sequer levantar a cabeça, a voz morta. — Você precisa me ouvir, Luccas. Não é nada do que você está pensando. Aquilo foi uma armadilha, uma emboscada! — Ah, Enzo. Não vem com essa — ele finalmente me olhou, e o ódio em seus olhos castanhos me cortou como uma faca. —
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