Angel Eu não entro no elevador. Fico parada ali, no hall da empresa, segurando a alça da bolsa com força, observando Damon caminhar até a moto. Ele coloca o capacete, monta como se fizesse parte dele e, em poucos segundos, o som do motor invade a rua.Ele some. Eu fico. Só quando o barulho da moto já é memória é que eu deixo o ar sair dos pulmões.Esperei tanto por esse “nós” e, agora que tenho, estou escondendo um pedaço importante da minha vida dele. E, por mais que eu queira justificar, isso pesa.Fico uns minutos ali, imóvel, olhando pras portas de vidro como se ele fosse voltar. Ele não volta.Então eu me viro, atravesso a calçada e sigo pro final da rua, onde fica o consultório da doutora Anne Mason.Na recepção, explico que não tenho horário agendado, mas que preciso muito falar com a doutora. A recepcionista torce o nariz, olha a agenda, diz que está difícil.Eu insisto.Talvez tenha sido o tom da minha voz, ou a minha cara de quem está segurando o mundo nas costas, mas, dep
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