Noite de Trabalho(POV Gabriel)Eu não gosto de jantar de trabalho.Nunca gostei. Tem uma desonestidade específica no formato — as pessoas comem, bebem, fingem que é social enquanto cada frase tem agenda embutida e ninguém diz o que veio dizer até a sobremesa, quando o vinho já fez o trabalho dele e a guarda baixou o suficiente.Em Lisboa, eu aprendi a jogar esse jogo. Aprendi bem. Não significa que gostei.O jantar com os conselheiros internacionais foi marcado pela Raquel num restaurante no Jardins. Discreto. Iluminação baixa. Cardápio sem preço, porque quem precisa ver preço não deveria estar ali.Mesa pra oito: eu, três conselheiros externos do Brasil, dois internacionais de fundos europeus e Mariana, que Raquel tinha colocado na lista como consultora estratégica em processo de transição. Era exatamente o que ela era.Eu a vi quando entrei.Ela já estava sentada, conversando com o conselheiro Eduardo Lima. Vestido escuro, simples, presença que não precisava pedir espaço. Ca
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