CAPÍTULO 62— O primeiro clarão A manhã chegou sem avisar, igual à noite anterior, sem uma luz clara que marcasse a diferença entre as horas, como se o tempo tivesse decidido seguir às cegas junto com Carolina, acompanhando-a naquela escuridão que já não distinguia amanheceres nem finais. Betina não tinha ido ao hospital. Carolina ligou para Ignacio e pediu que ele ficasse em casa para descansar direito, porque naquela noite ela decidiu algo diferente: fez o ex-marido permanecer ali, sentado numa cadeira de plástico ao lado da cama. Fez aquilo de propósito. Queria que ele visse e sentisse no próprio corpo tudo o que ela havia feito por ele durante anos, em todos os sentidos, enquanto ele nunca tinha sido capaz de cuidar dela nem por uma única noite como deveria. Ela o escutava reclamando da cadeira desconfortável, levantando toda hora, saindo para o corredor, voltando com café, andando de um lado para o outro, irritado, cansado, incomodado. Carolina, por outro lado, como já vinha do
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