CAPÍTULO 44— Não entendo nada. ... —Não entendo nada… Carolina disse isso em voz baixa, mas, mesmo assim, a frase ficou suspensa no ar, como se ninguém tivesse intenção de responder. As vozes ao redor não pararam. Pelo contrário: se multiplicaram. Perguntas que não esperavam respostas, nomes pronunciados com fome, flashes atingindo seus olhos como pequenas explosões brancas. Gabriel deu um passo instintivo em direção a ela. Não pensou. O corpo reagiu antes da mente. Ficou ligeiramente à frente, como se pudesse protegê-la com as costas do ataque que caía sobre ela por culpa dele. Por um segundo, esqueceu as câmeras, esqueceu sobrenomes, esqueceu tudo. Só existia sua esposa. A mulher que havia confiado nele de olhos fechados. O hall do prédio parecia outro lugar. Não aquele que ela conhecia. Não aquele por onde tinha passado tantas vezes pensando em balanços, decisões, reuniões. Agora era um espaço hostil, cheio de sombras e luzes mal direcionadas, de corpos próximos, de olhares que
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