O quarto do hospital era branco demais, limpo demais, silencioso demais.Eu estava deitada na cama, os olhos fixos no teto, as mãos pousadas sobre a barriga como se pudesse sentir as meninas através da pele. Elas estavam quietas agora – exaustas, talvez, ou apenas descansando depois do susto da tarde. Eu não sabia. Só sabia que o silêncio era ensurdecedor, e que cada segundo parecia uma eternidade.Marco estava sentado ao meu lado, a mão dele apertando a minha com uma força que beirava a dor. Ele não tinha saído do quarto desde que eu fui internada. Não tinha comido, não tinha dormido, não tinha feito nada além de ficar ali, me olhando, como se eu pudesse desaparecer se ele desviasse os olhos.
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