Romana O cheiro de álcool, remédio e desinfetante já fazia parte da minha vida. Às vezes eu achava que passava mais tempo dentro daquele postinho do que na minha própria casa. E, sinceramente, eu gostava disso. Gostava porque ali as pessoas precisavam de mim. Ali eu conseguia ocupar a cabeça. Conseguia fingir, pelo menos por algumas horas, que minha vida não era tão complicada quanto realmente era. Naquela manhã, porém, meu peito já estava estranho desde a hora em que acordei. Uma inquietação. Uma sensação ruim. Como se alguma coisa estivesse prestes a acontecer. Mesmo assim continuei trabalhando. — Hoje a senhora tá bonita, dona Carmen — falei tentando sorrir enquanto preparava a seringa de insulina. A velhinha soltou uma risadinha baixa. — Bonita nada, minha filha. Tô velha igual uma uva passa. Eu ri fraco. — A senhora é muito engraçada. Ela observou meu rosto com atenção enquanto eu limpava cuidadosamente o braço dela com algodão. — Você tá cansada hoje
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