Maya ainda segurava a taça de vinho entre os dedos quando Gabriel terminou de guardar o violão no canto do terraço. A cidade brilhava lá embaixo, distante, mas parecia impossível prestar atenção em qualquer coisa além de Gabriel caminhando em sua direção. Mais calmo agora, mas ainda vulnerável. Como se cantar aquela música tivesse arrancado dele alguma proteção que costumava existir. Maya observou o jeito que ele a olhava enquanto se aproximava. Intenso, quente, quase inseguro e aquilo apertou algo dentro dela.Ela colocou a taça sobre a mesa lentamente, os dedos ainda levemente trêmulos, porque nenhuma parte daquela noite parecia falsa. Nem o cuidado nos detalhes, nem a música, nem o jeito como Gabriel parecia enxergá-la como se ela fosse algo precioso demais para ser tocado sem cuidado. Ele parou na frente dela, perto o suficiente para Maya sentir o perfume dele misturado ao cheiro leve do vinho e da noite fria. Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos. Só respirando o mesmo
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