Capítulo 93Narrativa do Autor O silêncio dentro daquele bunker subterrâneo era quase sólido, uma presença física que pesava sobre os ombros de quem estava ali dentro. As paredes espessas de concreto e aço blindado isolavam Noemi, Bárbara, Débora, Alice e Dona Eulália de qualquer som vindo da superfície. Não se ouvia o vento, não se ouvia o farfalhar das folhas da mata e, o mais torturante de tudo, não se ouvia o eco dos disparos que decidiriam o destino de suas vidas. No entanto, o isolamento acústico não significava cegueira total. Fixados na parede de concreto, acima da bancada onde o micro-ondas e a cafeteira repousavam, dois grandes monitores de alta definição brilhavam, transmitindo em tempo real as imagens das câmeras de segurança espalhadas por pontos estratégicos de todo o morro do Vidigal.Noemi andava de um lado para o outro no espaço limitado entre as camas de casal. O suor frio escorria por sua nuca e o coração batia num ritmo descompassado. Ela olhava para as telas, ex
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