POV Lucy O estilhaçar do vidro ainda ressoava no ar, mas o silêncio que se seguiu na cozinha foi quase ensurdecedor. Dylan continuava de joelhos no chão, ofegante, a mão esquerda pressionando o corte profundo no antebraço direito. O sangue rubro e denso escorria entre seus dedos, sujando o piso claro, mas o olhar dele não estava focado na ferida. Os olhos de Dylan estavam cravados nos meus. E a névoa fria da amnésia, que por meses cobriu as suas pupilas com um cinismo distante, tinha desaparecido por completo. — Eu lembro — ele repetira, a voz rouca, trêmula. Senti as minhas pernas fraquejarem. Segurei Arthur com mais força contra o peito. A revelação não veio em um documento ou em uma reunião de conselho; veio no olhar desesperado de um homem sangrando no chão da minha cozinha. — Aisha, pegue o Arthur — pedi, a minha voz saindo num fio de ar, mas firme. Aisha, que acabara de chegar do trabalho, correu para pegar o nosso filho. Ficamos apenas os dois. Ajeitei a minha postura, e
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