O PESO DO FRACASSOCHARLES E JULIE EM PARISA luz da manhã parisiense atravessava as janelas do Hôtel Plaza Athénée, mas não trazia clareza, apenas evidenciava a decadência dentro da suíte. O cenário era patético: Charles, o herdeiro que sempre se vangloriou de sua linhagem, estava encolhido no sofá de veludo, vestindo a mesma camisa do dia anterior, agora amassada e manchada de suor frio. Julie, por outro lado, mantinha-se como uma rainha em um trono de gelo, cada movimento calculado para enfatizar a nova hierarquia de poder entre eles.O silêncio era uma tortura. Charles tentou, pela décima vez, ligar para o seu contato direto no banco, um homem que ele costumava subornar com jantares caros. A resposta, porém, veio por uma secretária eletrônica fria: "Contas bloqueadas por ordem judicial e administrativa do titular principal. Favor dirigir-se à agência de origem."— Alguma novidade, "meu herói"? — Julie surgiu do quarto principal, a voz pin
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