GabrielEstávamos todos em nossos quartos, nos preparando para a noite que coroaria anos de esforço. Hoje era, sem dúvida, o dia mais especial da minha vida profissional. Eu terminava minha residência médica, e ter Larissa ali, acompanhando esse marco, era o desejo que eu acalentara em segredo durante todos esses meses. Gustavo também estava presente, assim como Mel — a amiga que o destino me apresentara em uma balada qualquer e que, por um milagre da vida, tornara-se o elo que trouxe Larissa para o meu mundo.Nunca houve nada físico entre Mel e eu. Nossa amizade floresceu no solo da cumplicidade e da confiança, algo raro em um mundo de conexões descartáveis. Mas, enquanto eu ajustava o nó da gravata diante do espelho, um vazio latejava no peito. Duas pessoas me faziam uma falta lancinante naquele momento: minha mãe, Ana, e meu irmão, Pedro. Embora eu compreendesse as escolhas de cada um, a saudade era um peso físico.
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Capítulo 59 – Cinderela de Vinho
LarissaEu tentava recuperar o fôlego e organizar os pensamentos deitada naquela cama, mas a paz em Curitiba era um artigo de luxo que eu não possuía. O silêncio foi quebrado quando um furacão chamado Mel invadiu o quarto sem bater. Ela carregava uma maleta de maquiagem em uma mão e, na outra, uma artilharia completa: secador, escova e chapinha. Fiquei observando, atônita, como ela conseguia equilibrar tudo aquilo e ainda manobrar a maçaneta, enquanto já disparava palavras como metralhadora.— Nem me olha com essa cara de susto, que eu ainda nem trouxe tudo! — Mel exclamou, como se tivesse acesso direto aos meus pensamentos de cansaço. — Eu posso fazer várias coisas ao mesmo tempo, querida!Ela saiu e voltou em um piscar de olhos, desta vez trazendo o golpe de misericórdia: um cabide onde repousava um vestido que parecia ter sido tecido por mãos divinas, acompanhado de uma sandália que brilhava sob a luz do quarto.— Vai s
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