GabrielQuando sai de casa no Rio bem cedo, tudo o que eu esperava era um dia tranquilo em Angra. Como estudo no Paraná, passamos pouco tempo juntos, e esses momentos são raros. Estou no último ano da residência, com o final de uma jornada de nove anos de estudo quase al, desde que entrei na faculdade com apenas dezessete anos. Peguei a estrada assim que o céu começou a clarear. A Rio-Santos estava calma, e em menos de duas horas eu estacionava em frente a nossa casa. Querendo fazer surpresa ao Gustavo, não avisei que viria. Mas ao atravessar a sala, ouvi vozes distantes vindo do corredor do segundo andar.— Bom dia, Gustavo. Já de pé? O que foi? A Mel não te deixou dormir nem um pouco, mano?— Cala a boca, Gabriel! — os dois responderam em uníssono, com um tom que não era de brincadeira alguma. O rosto do meu irmão estava carregado de uma aflição que eu raramente via.— Escuta aqui, Gabriel — meu irmão disparou, segurando meu braço. — Preciso do médico agora, não do irmão chato. Tem
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