O Fim e o Começo Meses se passaram como um sonho lento e quente, daqueles que a gente não quer acordar. O casamento de Khalid e Melina não foi apenas uma cerimônia, foi o início de uma vida que nenhum dos dois imaginava possível. O palácio Al-Mansour, antes um lugar de tradições rígidas e silêncios pesados, ganhou risadas, música suave nos corredores, o tilintar de moedas de dança vindo da sala espelhada onde Melina ensinava Laila e, aos poucos, outras mulheres da família e amigas próximas. Melina não parou de dançar. Ela apenas mudou o palco. Em vez de shows públicos, ela dava aulas particulares para mulheres, esposas, filhas, primas de famílias influentes. Ensinava a dança do ventre como arte, como expressão, como forma de se reconectar com o próprio corpo. E, secretamente, em sessões mais íntimas, ensinava variações sensuais e eloquentes, movimentos que as alunas poderiam usar exclusivamente para os maridos. “A dança é poder”, dizia ela às mulheres, sorrindo. “Use-o onde quiser
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