Pensando em otimizar a sua rotina de trabalho, Rafaela alugou um apartamento aconchegante na cobertura de um prédio bem localizado na cidade. No dia seguinte à mudança, percebeu que um novo vizinho ocupava o imóvel da frente. Era Bernardo.Durante aquele primeiro mês morando na capital, os encontros casuais com o ex-marido se tornaram uma constante absurda em seu dia a dia. Uma hora ele estava disfarçado entre as prateleiras do supermercado do bairro, depois aparecia na fila de um restaurante popular no centro, ou até mesmo caminhando por algum canto isolado do parque da região. Alguém com o status financeiro e a posição corporativa dele jamais frequentaria aqueles ambientes cotidianos. Para Rafaela, estava nítido que ele acompanhava e mapeava cada passo seu.Nas raras ocasiões em que se cruzavam frente a frente, trocavam breves cumprimentos repletos de polidez, imitando a postura de velhos conhecidos. Na maior parte do tempo, porém, ele apenas a seguia a uma distância segura, mante
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