Os dias foram passando — não rápidos, nem leves, mas inevitáveis. Mia tentava, todos os dias. Acordava cedo, antes mesmo da casa ganhar vida, e corria. No começo devagar, depois mais rápido, como se quisesse cansar o corpo o suficiente para silenciar a mente. Nem sempre funcionava, mas ainda assim ela insistia. Treinava mesmo quando o corpo ainda reclamava, forçando os movimentos até que eles saíssem naturais, sem falha. Não era só sobre força. Era sobre controle. Depois vinham os livros. Horas sentada, lendo, relendo, anotando, tentando entender aquilo que ninguém parecia ter explicado completamente — a lua, os gatilhos, ela mesma. Mas, por mais que se esforçasse, ainda faltava algo. O brilho não tinha voltado. Ela estava mais estável, mais contida, mas não mais leve. Era como se tivesse aprendido a segurar… mas não a curar. E, mesmo assim, havia momentos em que a emoção escapava. Um aperto no peito, um pensamento insistente, um nome que voltava sem permissão. E, junto com is
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