A escuridão onde eu estava não tinha fim, nem forma, nem som. Era um vazio denso, frio e pesado, como se eu estivesse submersa nas profundezas de um oceano sem luz. Eu não sentia o meu corpo. Não me lembrava das dores nas costas, do fôlego curto ou do peso da reta final da gestação. Tudo o que eu sabia era que estava flutuando em um esquecimento absoluto, uma névoa anestesiante que tentava me convencer a apenas apagar de vez.Mas então, um som distante começou a cortar o silêncio do meu vazio.No início, era apenas um murmúrio indistinto, um eco que vibrava de forma rítmica, arrastando-me levemente para cima. Eu tentei ignorar, tentei me entregar ao descanso daquela escuridão, mas a voz insistia. Aos poucos se tornou mais nítida a cada segundo, mais firme, carregando uma dor e uma urgência que puxavam a minha alma de volta. De repente o que parecia sem importância e sem sentido mudou quando a compreensão me atingiu.Era ele. Era a voz grave, rouca e inconfundível do meu marido.“Amore
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