Ethan NassauA sala de audiências tinha o peso opressor de um mausoléu. O teto alto, adornado com molduras de gesso escurecidas pelo tempo, parecia comprimir o ar, tornando-o denso e difícil de respirar. O cheiro era uma mistura de cera de assoalho, papel velho e o perfume gélido da formalidade jurídica. Sentado àquela mesa de carvalho maciço, cujas ranhuras pareciam contar séculos de separações, eu me sentia exposto sob a luz amarelada dos lustres pesados.Ao meu lado, a apenas alguns centímetros que pareciam quilômetros, estava Maya. Ela era uma visão de ouro e gelo. Os cabelos dourados estavam presos com uma precisão cirúrgica, e seus olhos azuis, outrora meu oceano de paz, agora eram duas pedras preciosas, frias e impenetráveis. Ela mantinha a coluna ereta, o olhar fixo em um ponto qualquer na parede revestida de lambris de madeira, ignorando minha existência com uma eficiência que me dilacerava. Eu era um imbecil por ainda notar como a luz realçava a curvatura do seu pescoço.
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