Pedro manteve os olhos no vinho por alguns segundos depois da pergunta de Arthur. A taça girava lentamente entre seus dedos, o líquido escuro formando um redemoinho preguiçoso contra o cristal. O barulho suave do restaurante continuava ao redor deles mas, naquela mesa, parecia que tudo tinha diminuído de volume.Ele soltou o ar pelo nariz, como quem toma uma decisão.— Sim — disse enfim, levantando os olhos para o amigo. — É exatamente isso que eu estou dizendo.Arthur demorou um segundo para reagir. O olhar dele percorreu o rosto de Pedro como se estivesse tentando decidir se aquilo era uma piada muito ruim.— Você ficou louco — declarou, simples, encostando-se na cadeira.Pedro deu de ombros, como se aquilo não fosse grande coisa.— Não. Eu só estou sendo prático. — Pegou a taça e tomou um gole longo antes de continuar. — É isso que todo mundo acha que eu devo fazer, não é? Então pronto. Eu vou fazer.Arthur franziu a testa.— Pedro…Mas ele levantou a mão, interrompendo.— Não. Esc
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