Renato esperou quatro dias.Não porque havia planejado esperar quatro dias especificamente havia planejado esperar o tempo que ela precisasse, que era diferente e muito mais difícil. Mas quatro dias foi o que seu sistema conseguiu sustentar antes que a distância se tornasse fisicamente insuportável de uma forma que ele não havia antecipado.Ele havia passado os quatro dias trabalhando com a intensidade de quem está usando o trabalho como anestesia, que era, reconhecia agora com uma clareza desconfortável, exatamente o que havia feito durante cinco anos de casamento sem chamar pelo nome certo. Havia feito plantões extras. Havia aceitado uma cirurgia que outro colega poderia ter feito. Havia chegado ao hospital antes de todos e saído depois de todos e preenchido cada intervalo com prontuários e pesquisas e reuniões que poderiam ter esperado.E mesmo assim, às onze da noite no apartamento vazio, o lado dela da cama estava lá.O espaço dela no armário estava lá.O silêncio dela, diferente
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