"Lorena"A sexta feira chegou e eu estava exausta, sustentar a cabeça erguida e enfrentar todo mundo o tempo todo era cansativo demais e, ao mesmo tempo, eu sentia um alerta que eu não conseguia silenciar. Nas últimas vinte e quatro horas, a minha rotina havia virado um borrão de sensações novas. Na escola, o clima mudou radicalmente. Ninguém mais ousava fazer gracinhas ou me confrontar diretamente. A atitude do Érick e a minha resposta ao professor Renato serviram de aviso. Agora, o pátio mergulhava em um quase silêncio quando eu passava, e só o ruído de fundo de cochichos sussurrados ameaçavam a paz. Eles ainda me julgavam, eu sentia os olhares pesados sobre mim, mas agora tinham medo de fazer isso abertamente.Contudo, em casa, o perigo era mais silencioso e dissimulado. A Adelaide era uma sombra que me atormentava. Ela cumpria minhas ordens e organizava a casa sem protestar, mas toda vez que ela se aproximava, um calafrio percorria a minha espinha. Era uma sensação instintiva, co
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