Lívia acordou com a luz do sábado vazando pelas frestas das cortinas. Não demorou para lembrar onde estava. Dessa vez não havia desorientação. Havia memória. O apartamento. A conversa na madrugada. A voz dele calma na porta escura. O copo d’água que já estava lá antes mesmo de ela pedir. Ela virou de lado e ficou olhando para o teto por alguns segundos. Respirou fundo. A cabeça ainda latejava levemente, mas nada comparado à madrugada. Foi então que viu. Sobre a cadeira ao lado da porta, havia uma camisa dobrada. Simples, branca, masculina. Do lado, uma cueca nova, ainda na embalagem. E em cima de tudo, um bilhete dobrado ao meio. Ela se levantou devagar. Pegou o bilhete. Abriu. A letra era firme, organizada, sem floreios. “Banheiro à sua direita. Use à vontade. Quando estiver pronta, desce. Estou fazendo café da manhã.
Ler mais