Capítulo 12 — Mentimos uns aos outrosNarrador:DESIRÉEO apartamento envolveu-a com a sua habitual escuridão. Ela não acendeu nenhuma luz.Fechou a porta lentamente, como se ao fazê-lo pudesse também encerrar tudo o que acabara de acontecer. Mas não. O tremor continuava lá, pulsando sob a pele.Deixou a mala junto à entrada, como se pesasse toneladas. Caminhou descalça até ao sofá, com a roupa amarrotada, o casaco meio caído e os lábios partidos... de tanto beijá-lo, de tanto desejá-lo, de tanto se render.Deixou-se cair sem forças, como se o próprio ar tivesse evaporado. Abraçou as pernas, apoiou a testa nos joelhos, fechou os olhos e respirou fundo.Mas tudo estava lá. O cheiro dele, as mãos dele, tão firmes, tão desesperadas, a boca dele, devorando-a contra o carro, como se o tempo não existisse. Como se mais ninguém importasse.E então, como um golpe, a lembrança voltou; a da estrada, a do carro parado ao lado da estrada vazia. A maneira como ele saiu sem dizer uma palavra, abriu
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