Na quinta noite da viagem, pouco depois do jantar, começou uma chuva forte e constante, com ventos quase hipnótico, contra o vidro amplo da suíte.Helena estava descalça próxima à varanda, observando o mar desaparecer entre os relâmpagos distantes, enquanto segurava uma taça de vinho já esquecida pela metade.O vento úmido atravessava as cortinas claras. Atrás dela, Lorenzo observava em silêncio e talvez fosse a primeira vez em muito tempo que ele conseguia parar apenas para olhar a mulher que amava sem existir alguma ameaça rondando os dois.Ele poderia passar horas, apenas observando, sem pressa, sem interrupções e sem medo, apenas a Helena, ali, toda dele, toda para ele. Ela sentiu o olhar antes mesmo que ele se aproximasse.— O que foi? — ela perguntou baixo, ainda olhando a chuva.Lorenzo encostou devagar atrás dela, as mãos deslizaram lentamente pela cintura da esposa e falou com a voz rouca e baixa em seu ouvido:— Nada. Só estava pensando que faz tempo que eu não consigo te
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