Pietro CavalliniHavia semanas que a minha rotina se resumia a canteiros de obras, reuniões com investidores, relatórios de perícia e, claro, a doce adaptação de ter a Fernanda dividindo a vida comigo. No meio de tanta turbulência e reconstrução, acabei deixando de lado algo que sempre foi minha válvula de escape: a academia. Meu corpo sentia a falta do peso do ferro, do foco absoluto que só o cansaço muscular me proporcionava. Por isso, quando o despertador vibrou silenciosamente às cinco e meia da manhã, não hesitei.Antes de me levantar, porém, cumpri o meu ritual sagrado. Fiquei alguns minutos imóvel, com o braço apoiado no travesseiro, apenas admirando a Fernanda. A luz da aurora paulistana começava a clarear o quarto, desenhando o contorno suave do seu corpo sob o lençol. Ela dormia tão profundamente que parecia flutuar. A tranquilidade no rosto dela era a minha maior vitória; cada linha de expressão relaxada mostrava que os fantasmas estavam perdendo a força. Inclinei-me devaga
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