NICK Avisei Katherine antes de sair. A frase saiu enquanto ela colocava duas xícaras sobre a bancada da cozinha, movimento simples, cotidiano, vapor subindo do café recém-passado. O cheiro ocupava o ambiente inteiro, misturado com o perfume leve do sabonete que ela usava. Apoiei a mão na madeira da mesa e falei que iria ver minha mãe outra vez. Katherine ergueu o olhar devagar, como quem mede o peso das palavras antes de responder. Não fez perguntas longas, não pediu detalhes, apenas encostou o quadril na bancada e cruzou os braços, postura tranquila, atenção inteira em mim. Aquela forma de escutar tinha algo diferente das conversas que eu costumava ter com qualquer pessoa do meu mundo. Conselheiros, executivos, advogados, investidores, todos avaliavam cada frase pensando em consequência, impacto, vantagem. Ela apenas escutava. Contei que o encontro anterior tinha aberto uma porta estranha, uma espécie de lembrança que voltou sem pedir licença. Falei da casa antiga, das tardes em
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