Eu estava ajoelhada à frente dele, concentrada, os dedos cuidadosos enquanto trocava o curativo da perna. O cheiro leve do antisséptico contrastava com o silêncio denso entre nós. Minha atenção estava toda ali — na pele marcada, na cicatriz ainda recente, na respiração dele que eu sentia mudar aos poucos. Foi então que a voz de Alessandro quebrou o silêncio. — Sabe… — disse ele, num tom arrastado demais para ser casual — eu consigo imaginar muitas coisas com você assim. Ajoelhada na minha frente. Meu coração deu um salto violento. Minhas mãos pararam por um segundo, ainda apoiadas na perna dele. Levantei o olhar devagar, encontrando o dele. Havia dor ali, sim — mas também algo mais. Um brilho provocador, perigoso, que eu conhecia apenas de rumores, nunca de perto. — Alessandro… — murmurei, mais como aviso do que como reprovação. O canto da boca dele se curvou num sorriso lento. — Estou brincando — disse, mas o tom não convencia ninguém. — Ou talvez não. Senti o calor s
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