NATELuisa sabia.Não precisou de palavras — nunca precisava. Ela tinha aquele jeito dela de ler o ambiente, de sentir quando as coisas mudavam mesmo quando ninguém dizia nada.E as coisas tinham mudado.Ella estava educada. Funcional. Fazia tudo que sempre fazia — cuidava de Luisa, preparava refeições, mantinha a casa. Mas havia distância agora que não existia antes. Como se tivesse recuado para papel que eu tinha tentado tanto não deixar ela ocupar: funcionária em vez de família.E Luisa sentia.Quinta à noite, voltei do trabalho às sete. Ella estava na cozinha com Luisa, as duas fazendo biscoitos juntas como faziam toda quinta. Ritual estabelecido, conforto semanal.— Oi — disse, entrando.— Oi — disse Ella, sem olhar. — Jantar está quase pronto.Educada. Distante. Segura
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