ELLA Fiz o bolo na véspera. Não porque Maggie não fosse fazer — ela teria feito, com aquela precisão dela, camadas perfeitas, cobertura impecável, o tipo de bolo que parece de confeitaria. Mas Luisa tinha me arrastado para a cozinha três dias antes com um recorte de revista que ela havia encontrado na biblioteca — uma foto de bolo de morango com chantilly, simples, nada elaborado — e o jeito que ela segurou o recorte na minha frente, com aquela seriedade total, era inconfundível. Este. Quero este. Então fizemos juntas, na noite de sexta. Ela na bancada, eu no fogão. Morangos cortados, chantilly batido na mão porque o fouet elétrico havia sumido em alguma gaveta e nenhuma das duas teve paciência de procurar. O bolo ficou levemente torto de um lado. Luisa olhou para ele por um longo segundo. Depois assentiu, satisfei
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