Os olhos de Matteo estavam escuros, mais do que eu já tinha visto antes. Não era apenas raiva, nem apenas alívio. Era algo mais pesado, mais profundo, como se ele estivesse carregando nas costas todas as possibilidades horríveis que poderiam ter acontecido comigo naquela noite.Ele não disse nada, apenas me encarou por alguns segundos, como se estivesse confirmando que eu ainda estava ali, respirando, viva. Matteo sempre foi um homem de poucas palavras quando estava com raiva, mas naquele momento o silêncio dele não era apenas raiva, era medo misturado com culpa.— Não devia ter deixado você entrar sozinha — ele murmurou, por fim, desviando o olhar por um instante, como se as próprias palavras machucassem mais do que qualquer tiro.Tentei falar, dizer que não tinha sido culpa dele, mas a dor no ombro e o peso na garganta me impediram. Apenas balancei a cabeça de leve, tentando fazer com que ele entendesse.O médico ao meu lado continuava pressionando o pano contra o ferimento, agora p
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