Lorenzo CastellaniO bip do monitor cardíaco era a única coisa que quebrava o silêncio frio do quarto. O ar tinha aquele cheiro agridoce de hospital - um misto de desinfetante e flores murchas - e, mesmo assim, eu me apegava àquele som, porque significava que ela ainda estava viva. Minha avó.Eu estava sentado na poltrona ao lado da cama, com o corpo cansado e o coração em guerra. Fazia dias que eu dormia ali, com a cabeça apoiada no encosto, esperando qualquer sinal de melhora.Até que, naquela manhã, algo mudou.- Lorenzo... - A voz dela veio fraca, arranhada, como se viesse de muito longe.Meu corpo se arrepiou inteiro. Eu levantei num pulo e me aproximei, segurando a mão dela com delicadeza.- Vó? - sussurrei, sentindo o nó na garganta apertar. - Sou eu, Lorenzo...Os olhos dela se moveram lentamente, até se fixarem em mim. Havia um brilho ali, cansado, mas consciente. Eu senti o mundo parar.- Meu menino... - ela sussurrou, os lábios tremendo. - Você está aqui mesmo...- Estou, v
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