De todas as coisas que eu esperava passar na vida, essa era a última: ver o meu chefe — na verdade, noivo, mesmo que de fachada — de mãos dadas com outra mulher.O gesto de Marina era delicado, como se quisesse consolar, mas também de quem estava tomada pelo momento. O olhar dela era de admiração, com uma pontinha de tristeza. Vinícius foi o primeiro a me ver parada na porta. Ele largou a mão de Marina na hora, como se tivesse levado um choque. O rosto dele ficou vermelho, depois branco, depois uma mistura bizarra dos dois tons. Marina sorriu, sem disfarçar o constrangimento, mas não desviou o olhar. — Oi, Bela — ele disse, e a voz saiu meio rouca. — Aconteceu alguma coisa? — fez uma breve pausa — é a Marisa?— Precisamos conversar — falei, fingindo não ligar de ter visto Vinícius e uma mulher linda de mãos dadas.Marina se recompôs rápido, ajeitou o jaleco e sorriu pra mim daquele jeito sincero que só ela sabia fazer. Era impossível odiá-la, mesmo se eu quisesse.Me aproximei, sen
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