POV Isabel O som do relógio na parede parecia alto demais. Cada segundo batia como se estivesse marcando uma contagem regressiva que ninguém ali tinha coragem de admitir em voz alta. Eu não conseguia parar de olhar para a porta por onde o juiz ainda entraria. Era como se, enquanto ela permanecesse fechada, ainda existisse a possibilidade de fugir daquela decisão. De congelar o tempo antes que alguém dissesse, oficialmente, o destino da minha filha. Passei a mão na calça pela terceira vez, tentando secar o suor que insistia em se formar nas palmas. Ao meu lado, Dante estava imóvel demais. Rígido demais. O tipo de silêncio que só existe quando alguém está segurando o próprio mundo com força para ele não desmoronar. Eu conhecia aquele silêncio. Do outro lado da sala, Augusto conversava algo baixo com o advogado, inclinando levemente o corpo como fazia em reuniões empresariais. O tom parecia calmo. Confiante. Como se
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