AlexO quarto da UTI parecia subitamente pequeno demais para o peso das palavras que pairavam entre nós. Os soluços de Clara eram fracos, mas cada um deles ecoava como um trovão no meu peito. Ela desviava o olhar, escondendo-se na própria culpa, as mãos trêmulas apertando o lençol branco como se tentasse se agarrar a uma realidade que já não existia mais.Aproximei-me, sentando na beira do leito com uma lentidão reverente. Segurei o rosto dela entre as minhas mãos, forçando-a gentilmente a encontrar os meus olhos. Eu não era mais o CEO inabalável; eu era um homem em ruínas, tentando desesperadamente salvar a única coisa que importava.— Clara, olhe para mim — pedi, a voz embargada. — Escute o que eu vou te dizer, porque eu não vou repetir isso para o mundo, só para você. Eu passei a vida inteira fugindo da ideia de família. Eu nunca pensei em ser pai. Eu achava que o meu legado eram as torres de vidro e os números no balanço do final do ano. Mas quando aquele médico saiu por aquelas po
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