RAFAELNa manhã seguinte, fico parado na penumbra do corredor, observando pela fresta entre a porta da sala de estar e o batente. O sol da manhã, pálido e invernal, corta a sala em fatias de luz e sombra, e no centro de uma dessas fatias, está ela.Elisa.Parada diante da Sra. Lúcia, imóvel como estátua de hesitação. Veste calça jeans nova, azul-escuro e simples, e blusa de malha cinza, macia. Roupas que Lúcia comprou. Roupas que eu ordenei. Na mão, segura par de tênis brancos e simples, e o modo como os segura — pontas dos dedos, como se fossem cristais fino e perigoso — revela mais do que qualquer palavra. Seu rosto não é de gratidão. É máscara de choque petrificado, sob a qual lateja desconfiança tão profund
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