CAPITULO 52 POV – Marino Bianchi As semanas passaram como algo raro demais para quem viveu em guerra: Em silêncio. Felix se adaptou à alcatéia com uma naturalidade que assustava. As outras crianças primeiro observaram de longe — curiosas, desconfiadas do menino que não uivava, que não corria como eles, que não sabia ainda o peso do sangue que carregava. Mas crianças não carregam rancores antigos. Em poucos dias, Felix corria pelo pátio, rindo alto, tropeçando, sendo puxado pela mão por outros pequenos lobos. Aprendeu jogos novos, inventou regras próprias, ganhou um apelido que Marino nunca tinha ouvido antes: — Ei, Fê! — gritavam. Marino observava de longe, quase sempre encostado em alguma árvore, braços cruzados, postura de Alfa… mas o coração longe disso. Ele se permitia algo que nunca teve. Paz. Dominik se aproximou numa dessas tardes. — Ele tá bem — comentou.
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